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Sêmen – Terceira Parte – Poder

I

Toda essa parafernália de linguagem, medida milimetricamente, geometricamente forjada na antiguidade clássica, sofística.  Todos esses embustes de ser o que não se é, por ter tanto, tanto poder, poder sem lastro, desconhecido da sabedoria, com vestes do parecer, retórica. E então hoje tudo não é o que parece ser? Mas hoje, nesse moderno, o império é grotesco no seu irônico desvelo de acreditar piamente no dizer de engano; e os enganados, pobres marionetes consumidas a consumir todos os ditos como objetos de poder a apagar sua própria palavra de força. (Keila)

As metáforas para o poder estão por toda a parte. Nas artes, é tema contínuo, ao lado do romantismo. Mesmo nas histórias românticas, as relações de poder são exploradas. Poder significar ter a possibilidade de exercer determinado domínio sobre outrem. O poder na política é arma venenosa e destrutiva, letal de forma vil; pelo vil metal, mata-se e compra-se. Compram almas, compram vidas, vendem pensamentos e ideologias. (Fabiano)

Uma língua afoita diz mais do que deveria, diz pior, assim como os dentes mordem ao invés da língua bem sugar quando na pressa, quando não controla e não lapida o que propriamente poderia ter sido feito. Bem feito. Este poder, capacidade de fazer algo melhor, por vezes é deixado de lado por egoísmo, puro e excitante egoísmo. E ainda nem chegamos à sala do bem comum; surto comum é o ato de pensar no próprio umbigo, seco, sujo, mareado. (Eliéser)