Sêmen – Segunda Parte – Cap. V

Publicado: junho 27, 2011 em Mini-saga Sêmen, Sêmen - arco Solidão

Sêmen – Segunda parte – Solidão

V

Sem mais nada a perder ou ganhar. Pensar no passado para que? Remédios jogados na privada. Não há ansiedade por notícias de ninguém. Não há roupas guardadas ou por guardar. Não há roupas ou utensílios para aporrinhar. Torta na parede a sagrada família. Torta na geladeira que fazia estava. Rum na garganta. Torta sua rua quando olha desse jeito, de ponta cabeça. Se ri. Vassoura vira par de dança as duas da matina, as cinco da tardina. Tardina não existe então ele inventa. Inventa palavras, dores de cabeça para adoçar a vida com tudo que sua solidão representa. Livre. Por quantos anos quiser daqui pra frente.

O livro da cabeceira o faz refletir. Pelado as dez da noite, vinte e duas maneiras de iniciar assuntos de sono com a sombra do passado em sua vida. Pára de sorrir por um instante. Que pode fazer se a vida é mais que as cobranças dos outros por sua vida. Publicidade quer te vender tudo, ele pensa. _Quero comprar minha alma de volta.

Por Eliéser Baco

Duas da matina sob efeito de morfina, as toxinas liberadas após tantos devaneios. Essa solidão é apenas passageira do acaso, sem futuro nem distante. Momentos, reflexão, a força que nos enquadra em determinadas categorias sociais de nada vale quando estamos entre quatro paredes, sem ninguém por perto. Somos quem somos de fato, sem amarras nem náuseas. O ápice da felicidade pode ser o vislumbre de instantes ociosos, onde não se pensa em nada, universo particular, nada além. Ou uma alma para revender…

Já são quatro da madruga. Na noite escura, o silêncio mortal cortado pelas sirenes da polícia em busca de desajustados. Enquadrai-os, mestres da força moderada! Leve-os para que possamos circular livremente com nossa hipocrisia encoleirada. Não penso de forma coesa. Cadê o sentido?? Agora, cinco horas! Mais duas horas, devo estar acordado, e ainda não dormi. Mais vivo do que nunca, leve como sempre. Seis, o sol nascendo, a neblina impedindo a visão, abro a janela, sinto o ar, respiro, fecho a janela, volto, deito e durmo profundamente…

Por Fabiano de Queiroz

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