Sêmen – Segunda Parte – Cap. IV

Publicado: junho 20, 2011 em Mini-saga Sêmen, Sêmen - arco Solidão

Sêmen – Segunda parte – Solidão

IV

Durabilidade das dúvidas que cercam outros não importa. Toda rotina desencadeia certezas, sorrisos sem clareza, ingrediente a mais no labirinto próprio. Essas labaredas de pensamentos,cada item nos serve, está de acordo com nossa proposta de vida,  conseguimos nos impor de nosso interior ao mundo. Que bela ressaca de palavras. E nem cai o cálice das mãos, pois, pesado está, pesado de solidão, nem mais leituras agüentaria dos poetas de Londres, Istambul, Curitiba. O que queima os olhos é mais que poluição; o que queima a alma é mais que dos outros a corrupção. A mulher prefere o sêmen embotado do cinza de qualquer um ao companheiro pobre de ostentação. Pobre ostentação, rica poluição e cálice de solidão. E bebe tão sofregamente a água da chuva que rodopia febrilmente, por saber que todos que passam de mãos dadas ou não, tem aquele nó no peito vez por outra, por não saber deixar de lado a hipocrisia, malfadadas vias, de complexos, de medos, da busca por algo que está no próprio olhar.

Por Eliéser Baco

Palavras torpes, frases mudas, na noite escura, onde brilha um cantador. Que faz uso das palavras e invade o silêncio, com seu ressoar magnífico, o dedilhado mágico, o dom mais profundo. Na busca do reconhecimento e do amor, uma encruzilhada, um blues, um chapéu e um violão. A perfeição técnica no apego aos bens imateriais. Na senda do sucesso pessoal, um preço altíssimo a pagar. Até onde tudo vale? Justificam-se os meios, para um fim prazeroso e fugaz, mesmo que ao fim e ao largo, tudo desabe e se eternize em destruição? Ele sabe que está chegando ao fim, quando ela, sua amada, sua conquista, sua dívida, diz: querido, onde você estava à noite passada? Sim, eu disse baby, onde você estava ontem à noite? Porque você tem o cabelo todo emaranhado. E não está falando direito, onde você estava ontem à noite?* E ele, melancólico, apenas suspira… eu estou parado na encruzilhada. Acredite, eu estou afundando.** E para o fundo foi, sem ninguém ver. Porém, para a posteridade ficou.

* 32-20 Blues (Robert Johnson)

** Cross Road Blues (Robert Johnson)

Por Fabiano de Queiroz

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comentários
  1. Keila Costa disse:

    Belíssimos textos Eliéser e Fabiano!

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