Sêmen – Segunda Parte – Cap. I

Publicado: maio 29, 2011 em Mini-saga Sêmen, Sêmen - arco Solidão

Sêmen – Segunda parte – Solidão

I

Não poderia esperar tal decisão. Sim ou não, cumplicidade ou solidão? É medieval tão questão. Pré-colombiana. Passos curtos em direção qualquer, mas rumo ao próximo, que motivo teria?

Eu não poderia esperar tal decisão daquela mulher, K. Atirei-me ao escuro das conquistas por moças, coxas alheias; sim de muitas, não de algumas, cumplicidade e solidão. Frise isto, por favor: E solidão. É medieval tal questão, passos curtos em direção qualquer enquanto ela não se decidia por mim ou pelo ouro dos outros. Rumo ao próximo enquanto eu estava lá, nos escombros das futuras construções, esperando-a; que motivo teria para não aguardar?

O fato, por mais simples que pareça e que eu mereça, é que nos momentos derradeiros ela adentra a porta, não a mulher que eu aguardava, de cinta-liga e olhar lânguido, tampouco a donzela pálida de foice em mãos e vermelhos olhos; adentra a porta sem ritmo, por vezes até descompassada, a sereníssima que enlouquece, ela caríssimos, derradeira e despedaçante, solidão. Cúmplice de meus motivos mais estranhos, mais verdadeiros.

                                                                                              Por Eliéser Baco

Ela mata. Ela seduz, joga, escorraça, destroça, amordaça. E mata. Impiedosamente. Sem sangue. Sem nexo. Apenas acaba com toda e qualquer esperança na vida. A mulher tem um poder qualquer coisa de hipnótico, que tranca o homem dentro de sua alma, sem saída nem chance de perdão. Todo o que se faz é chorar e implorar pela chance impossível.

Creio na força devastadora desse tsunami humano chamado mulher. Obra máxima da Força Criadora, infinitamente superior ao homem, que jaz debaixo de sua mediocridade, impotente diante de tamanha lassidão. Inevitável é o sentimento de ausência, um pária entre iguais, onde não consegue o homem controlar seus sentimentos mais intensos, quanto mais a mulher o ignora e humilha.

A mulher muitas vezes é usada e jogada fora, mas quando sabe de seu poder, dificilmente deixa de usá-lo. O homem é destruído duplamente – pela força natural da mulher e pelo sentimento de inferioridade de quem historicamente se fez passiva. Essa passividade era a solidão da mulher e a tranquilidade do bicho-homem.

                                   Por Fabiano de Queiroz

Anúncios
comentários
  1. Nina Blue disse:

    Pessoas,
    Pra início de conversa…. eu adorei, mas vamos aos próximos capítulo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s