Sêmen – Primeira Parte – Cap. II

Publicado: abril 10, 2011 em Mini-saga Sêmen, Sêmen - arco Origens

CINZA?

II

Não podemos nos distanciar tanto de nossa natureza. Uma manhã de sol, silenciosa e gelada, oxigena a alma, revivesce os conceitos, dá-nos sentido ao que parece sem vida, cinza, fraco. Nossa força vem de dentro, mas pode vir de fora quando tomamos essa capacidade externa como algo pessoal. Abstração é talvez a maior qualidade de um ser humano, em busca do controle emocional, do autoconhecimento e por que não? até mesmo de nossa espiritualidade. Esta que não remete necessariamente a uma religião, pois dogmas nos afastam da natureza e de nós mesmos. Religiosidade pode trazer uma pretensa paz aparente, mas não uma paz interna, sentida de maneira legítima, como ligação direta com o que nos rodeia, ao mesmo tempo em que nos permite lidar com cada situação de uma forma tranquila. Sentimento interior = meditação, mente vazia, não de sentido, mas de medos e paranoias que nos tiram a vontade de viver, que nos apertam o peito e nos sufocam.

Por Fabiano de Queiroz

Prevalece mensageiro, a vontade de ser uno.  Tenta provar pra si que precisa se fortalecer. Ideais e presunção. Iguala todos como se todos precisassem estar preocupados com o que te deixa revolvido ao cotidiano. Preso em circunstâncias que rebatem sua mente ao que eu tenho para oferecer. Tenta a paz e consegue frases torpes. Tenta a fé e é destituído de parecer convincente pelas atitudes alheias. Funda em seu olhar religião, esquecendo que isso pode não passar de mais um item nos vários da alienação. Não adianta lutar. Fazer cara de choro. Bestificado é o ser que se diz humano. Mata mais do que ajuda. Retrai-se mais do que se expõe. Chora mais por não ter algo do que sorri por ter quase tudo. Inveja o outro pela vulva alheia e se compadece por desgraças no instante inicial. Duvido que encare seu reflexo com todo esse orgulho. Todos querem minha coroa, o fato é que ainda não sabem como tê-la.

Por Eliéser Baco

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comentários
  1. Christine Pan disse:

    Esta ficando interessante hein meninos.
    Dois personagens conversando sobre o que aflige as pessoas nestes tempos caóticos.

    Parabens de verdade!

  2. Christine Pan disse:

    O mensageiro e o Rei. tudo é cinza nos olhos deles?

    “.. que nos apertam o peito e nos sufocam”

    mto bom.. mto bom mesmo

    • Bom, pelo menos nessa, digamos, “série”, o cinza prevalece. Não que eu ache que deva ser assim sempre. A leveza é necessária. Não é à toa que estou recomendando a animação “Rio” pra todo mundo, ehehe. As cores produzem efeitos fantásticos em nossos índices de felicidade 🙂

      abração, e obrigado pela visita! 😉

      • Aldo Jr. disse:

        “Todos querem minha coroa, o fato é que ainda não sabem como tê-la.”
        E, mesmo que saibam como consegui-la, aposto que não saberiam utilizá-la. Pior que isso: não saberiam sequer pra que serve.

  3. Eliéser Baco disse:

    Obrigado pela visita de grandes amigos Christinne e Aldo Jr. É uma honra, sinceramente.

    torna-se cinza a partir da atitude cotidiana, e normalmente a arte nos traz a cor que nos falta ao fim do dia. o olhar sincero de um ente querido ou de um terno amigo pode ser a arte da fraternidade verdadeira, e isso nos honra, assim como a literatura, a música, o bom sexo. rs

    que nos capítulos deste arco possamos adentrar ao nosso próprio cinza, o da reflexão, e saibamos ser inovadores nas cores de nossas atitudes. abraços e apareçam.

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