Sêmen – Primeira Parte – Cap. I

Publicado: abril 2, 2011 em Mini-saga Sêmen, Sêmen - arco Origens

MISÉRIAS

I

Oprimido, anexado ao ventre materno, sem saída em prisão de fogo, acusado pelo nascimento, pela não-realização de expectativas abstratas e impossíveis. A sociedade oprime. A maternidade castra, desova, infecta e destroça. Não se iluda, caro Rei. A vida não é sua, o controle vem de fora pra dentro, e não há saída. A libertação vem pela dor absoluta. Não há por onde. Migalhas da alma, a força aparente transformada em mediocridade cotidiana. Misérias do espírito. Ilusões corroídas pela amarga realidade. Cadê meu placebo? Meu caro Rei, forçosamente me afasto, tal como Pescador em alto-mar, por dias ou anos, na infinitude placentária de uma vida controlada. Sem forças, sem sonhos, sem poder transformador. Agora, meu caro Rei… não percebemos o quanto idealizamos sem saber que perdemos décadas de vida sendo meros anexos. Não é o fim porque não houve começo. Coroa, ilusão doce, nosso ópio na alma devastada.

Por Fabiano de Queiroz

Sumiu das cédulas monetárias e moedas minha face, caro mensageiro inquieto. Some das páginas incultas e impuras, e ocultas e neutras e outras derradeiras e sem ar nas frases, minha face… Mas não temas, pois, o invólucro que te acaricia é mais do que preciso negociar por tua felicidade comprovadamente exposta na matéria que acumulas. E no sorriso da fêmea que despeja teu sêmen colhe tuas ilusões. E nas ordens financeiras que abarrotam tua gaveta sofre tua manifestação de homem. Minha coroa é o que alimenta a nação, minha coroa cravejada do que as pessoas temem e querem, matam e se desdobram por ter. Não temas, pois, as inundações são cíclicas e sempre estarei aqui, como rei disso tudo. O disparo no ventre da terra; que terra? O andar é rápido, ríspido demais para socorrer quem flagelado navega o olhar por apenas pão e água. Água! Água?

Por Eliéser Baco

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comentários
  1. Christine Pan disse:

    Oi meninos, mto bacana a ideia de vcs. Desejo sucesso nisso, vcs sao mto bons.

    parabens.

    mas tenho uma duvida. serao personagens sendo compartilhados? sendo moldados?

    • Obrigado, Christine, e nos acompanhe sempre 🙂 Eu diria que os personagens estão sendo moldados, podendo até voltar a aparecer futuramente, após esse arco. Quem sabe até em outras mídias… ehe.

  2. Christine Pan disse:

    “Migalhas da alma, a força aparente transformada em mediocridade cotidiana. Misérias do espírito. Ilusões corroídas pela amarga realidade. Cadê meu placebo? Meu caro Rei, forçosamente me afasto, tal como Pescador em alto-mar, por dias ou anos, na infinitude placentária de uma vida controlada.”

    excelente Fabiano. acho que poucos tem noção do controle do capital e da publicidade sobre a vida. a industrializaçao de nossas vontades. e o prejuizo fatal que atinge a maioria. os novos escravos bolivianos e chineses.

  3. Christine Pan disse:

    “E nas ordens financeiras que abarrotam tua gaveta sofre tua manifestação de homem. Minha coroa é o que alimenta a nação, minha coroa cravejada do que as pessoas temem e querem, matam e se desdobram por ter.”

    Oi Eli, amigo querido, todos querem tudo dos outros, querem se vender ao desconhecido pelo valor que precisam ter mais e mais. alguns cheiram pra esquecer, outros cheiram pra subverter.. algns viram pastores para enlouquecer e enriquecer. mas todos hoje em dia penso que querem a coroa vistosa de tudo podemos ter de material na vida.. ao menos foi isso que achei durante os pensamentos que tive depois de ler..

    bjo

  4. Eliéser Baco disse:

    Que bacana que passou por aqui Pandorinha. Obrigado pela leitura dessa nova via no espaço cibernético. Infelizmente as cobranças são muitas e o que temos de volta da sociedade e de quase todas as pessoas é somente fel. É bom se compreender e estar apegado ao melhor que pensamos ser a vida para não cairmos no ruído contemporâneo. o importante é não ser fragmentado, como a maioria se encontra.

  5. Aldo Jr. disse:

    “Infelizmente as cobranças são muitas e o que temos de volta da sociedade e de quase todas as pessoas é somente fel…”
    Baco, esperar mel de uma sociedade doente e amarga é nosso maior erro. Compartilho como ideal a capacidade de poder fazer algo e esperar por algo pra nós mesmos. É por mim que faço o que faço. Os resultados colho eu. A sociedade e as pessoas não entendem de colheita. Entendem de espalhar sementes – sem entender o que essas sementes germinarão.

  6. Eliéser Baco disse:

    Verdade Aldo, infelizmente quem nada no senso comum sem o calor do questionamento se afoga, ainda que tenha o chamado sucesso, se afagorá na presunção, na falta de tato com aqueles que o cercam;

    por isso algumas amizades invam o tempo quando verdadeiras… por isso as familias que se unem no pior momento sabem incoscientemente porque o fazem;

    nada substitui aquilo que une a todos os que questionam e são abertos ao verdadeiro sentido de estar aqui, aprendendo, evoluindo.

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